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sábado, 27 de outubro de 2012

Poemas da sexta-série a partir do poema Autoapresentação, de Elias José.

A partir da leitura do poema "Autoapresentação", de Elias José, os alunos foram convidados a se apresentar de forma poética. Antes de escrever, fizemos uma reflexão sobre o gênero em questão, interpretamos a obra, entre outros aspectos.

 

Autoapresentação

Sou o poeta João,
Cheio de sonhos e pesadelos
E medos e coragem.
Tenho os olhos abertos, espertos
Para olhar o céu, o mar, a montanha
E todas as cores que a vida tem.
Tantos me tocam as cores da natureza
Como os olhos das garotas.

Tenho os ouvidos atentos
para a música, os ruídos todos
e a sonoridade dos sorrisos
e dos nomes de mulher.

Com os íntimos ou escrevendo
Sou falante, elétrico como um grilo.
Quando enfrento o desconhecido
Sou caracol encolhido em minha casca-casa.

Sou alegre e sou triste,
Sou poeta em projeto.
Acho que o poeta é um cara-de-pau
Que se joga todo sem redes,
Sem máscaras e sem olhos escuros.
É um ser que bota fogo no gelo
E espera um incêndio amazônico.

Para isso vivo e me preparo
Como só tenho quinze anos,
Estou ainda atiçando chispas.
Se uma chamazinha explodir,
Se um verde minúsculo brotar
Do azul do meu poema,
Se o diálogo quebrar a indiferença,
Valeu.
ELIAS JOSÉ

CRIAÇÃO DOS ALUNOS

Um sentimento
Sou um sentimento
Bom e bonito
Simples e sincero
Que só a companhia
Pode amenizar a sensação
De frio na barriga.

Algumas pessoas fogem
Outras procuram por toda vida
Enquanto algumas encontram
Pelo menos uma vez na vida
E ainda dizem que é eterno...
Sou um sentimento lindo...
Sou o amor.
Thiago M

Meu pequeno poema

As cores do arco-íris
A brisa a suavizar
Um olhar apaixonado
De alguém que está
Aprendendo a amar...

Um sorriso de criança
O perfume de uma flor
As montanhas e os vales
Os rios e os mares
Tudo a me fascinar...

As palavras de uma história
As estrelas a brilhar
As folhas a voar
E eu a te amar...
Bruno Martins

Como estou

Eu sou alegre
Às vezes parece
Que sou triste.

Tem dias que estou braba
E dias que estou calma.
Tem dias que falo pelos cotovelos
Tem dias que sou o silêncio.
Às vezes estou histérica
Às vezes estou séria.
Como será que vou estar
Nos outros dias?
Braba, alegre ou histérica?
Talvez fora do ar...
Gabrieli

Escola da Vida

Vou lhe falar
Da minha infância
Sonhei muito até tentar
Cansei de errar
E muitas vezes tive que consertar
Alguns sonhos não consegui realizar
Fui crescendo e aprendendo
Que a vida não é fácil
Realizar sonhos é quase impossível
Mas com a cabeça erguida
Melhora a vida
Se cair, levanta.
Foi assim que consegui
Realizar meus ideais
Agora conto minha história
Como um troféu de vitória.
Rochelle

Essa sou eu

Sou escritora
Escrevo meu próprio caminho
Às vezes sou sol
Às vezes sou chuva
Sou paz
Sou guerra
Sou sincera
Sou apaixonada pelas palavras
Andarilhas em meus pensamentos
Vivo emoções
Sou sentimento
Pinto o céu das cores mais belas
Tropeço e aprendo
Não me arrependo
Vivo o presente
De forma reluzente.
Kassiane Custódio de Carvalho

Sou assim

Sou apenas uma garota
Tenho doze anos
Vivo o agora
Na memória me iludo
No coração me inundo
O colorido do céu
Não sei quem pintou
Quero o resto da tinta
Para colorir meu amor
Seus olhos belos quero tocar
De tão delicados só posso olhar
Faço tudo valer a pena
Sou o que sou
Sou o que quero ser...
Caroline Bertolini Soares

A menininha

Sou a poeta Marcelly
Cheia de sonhos e utopias
Vivo no meu mundinho
De sonho e fantasia
Sou alegre
No meu universo de melodia.
Nos dias belos
Vejo as cores vivas da natureza
Com os olhos de garota meiga
Vejo a grandeza de viver
Esse é o meu jeito de ser.
Marcielly Maciel

A nossa região

Aqui na nossa região
É muito bão
Nós vendemos manjericão e leitão.
Aqui não é mole não
Nós pegamos o ladrão
E levamos direto para a prisão.
Onde só come arroz e feijão.

Um dia eu estava no rincão
Dançando um bailão
As prendas me disseram
Que isso não é difícil não.

Eu me alegro com a minha região.
Aqui é calmo e muito bão.
E como sempre digo
Daqui não saio não.
Bryan B. Cardoso

Quem sou?

Sou uma poetisa
Mas poderia ser caixa secreta
Gostaria de ser um passarinho
E em gaiolas não habitar
Tenho asas para voar.

Tenho uma cabeça para pensar
Um coração para amar
Pensamentos para encontrar
Um caminho para trilhar.
Quero viver um novo sonho
Quero perder o meu medo
Quero sentir o ar puro
Quero curar os meus erros.
Mas afinal
Quem eu sou?

Tenho os olhos espertos
Tenho a visão de um mundo belo
Tenho olhos abertos
Olhando a vida de modo certo.

Ouço vozes, barulhos e sons
Mas não entendo
São sons que me tocam
De uma forma que não entendo
Apenas são sons.

Mas afinal
Quem eu sou?
Stéfani da Rosa dos S.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Ao professor - homenagem da 611 e 811

    Para comemorar o dia do professor, alguns alunos da sexta e da oitava séries se dedicaram em escrever a mensagem abaixo:

                                                Dedicatória ao professor
Professora Tamara
A professora Tamara é toda vaidosa e Química e Física nos ensina toda prosa.

Professora Carmem
A Carmem é aquela que nos faz ampliar desenhos,  sempre com muito empenho.

Professora Renata
A Catiusca é nossa professora de História, graças a ela tivemos uma vitória: um teatro apresentamos e orgulho a ela damos.

Professora Fernanda
A Fernanda é uma pessoa simpática e nos ensina Matemática.

Professora Zita
A Zita se aposentou, mas antes o conhecimento em Matemática nos passou.

Professor Alex
Mochileiro das galáxias o nosso professor é um baita educador.

Professora Cris
A Cris nos ensina Inglês e Religião e por seus filhos tem grande paixão.

Professora Chirlei
A Chirlei é nossa professora de Educação Física, muito ela nos elogia e das nossas piadas sempre ria.

Professora Daiane
A Daiane é uma professora muito positiva, ensina-nos Português e nos dá aula da vida.

Professor Rafael
O Rafael nos ensina Ciências e muito obrigado pela sua paciência.

Professora Patrícia
A professora Patrícia nos dá aula de Educação Física e muito bem a matéria nos explica.

PROFESSORA DAIANE FAGHERAZZI

Em tom sério e cômico, candidatos mostraram suas propostas de campanha política. Turma 611


         Focalizando a semana das eleições, os alunos da sexta-série se dedicaram a fazer campanha política, tanto em tom sério, como cômico. Para tanto, reuniram-se em grupo e preparam projetos para serem avaliados perante os colegas. As obras foram apresentadas oralmente. Destaco os seguintes trabalhos:

                                                                  Campanha Mudando de Vida
                Nós mudaremos de vida com os seus impostos. Não prometemos sua segurança, mas a nossa, sim. 
                Vocês não receberão salário mínimo, pois nós precisamos de mais dinheiro em nosso banco.
                Prometemos não guardar seu dinheiro, mas  gastá-lo.
                Tomaremos sua residência para construir mais prédios, porque nosso comércio deve aumentar.
                Doaremos coisas velhas para as pessoas que necessitarem.
                Daremos também roupas rasgadas, comida estragada, etc.
                Vamos incomodar você com nossa música irritante até às 4 horas da manhã.
                Iremos a sua casa, comeremos sua comida, dormiremos em sua cama e não ficaremos gratos.
Partido CBB
Vote em Juca Chileno n. 5321
Vereador José Pinto n. 53211
Bryan B. Cardoso
Nickolas de Lima
Turma 611

                                                                          Mudanças positivas
                Olá, sou Bruno. Eu desejo construir hospitais e escolas para melhorar a saúde e a educação que são essenciais à dignidade humana. Prometo cumprir e fazer tudo para uma educação de qualidade, pois o povo farroupilhense merece.
                Desejo que a cidade tenha mais ônibus escolares para a segurança das nossas crianças.
Falo novamente, se você votar em mim, muita coisa vai mudar.
                Chegou a hora de fazer Farroupilha crescer, não em população, mas principalmente em educação e em qualidade de vida.
                A minha meta é fazer dois novos postos de saúde para agilizar o atendimento aos mais necessitados.
                Vou construir cinco unidades de informática para disponibilizar maior contato da população com o universo virtual. Desejo contribuir para que a nossa gente se torne cidadã do mundo.
Partido AMCA
Bruno
Turma 611

                                                             Noizinho

               Vote no Edinho e no Guilherminho para mais Leite Ninho dar ao seu filhinho. Se você quiser  mais remédios para o coração, vote no Edinho e no Guilherminho  para mais cuidados ao seu corãozinho. Se você quiser mais, juntos a gente faz.
                Então, no dia 7 de outubro, vote 11 para prefeito de sua cidade. Farroupilha quer, pode e merece.
Partido “ As mina pira. Pior que tá não fica.”
Ediomar e Guilherme
Turma 611

PROFESSORA DAIANE FAGHERAZZI

Memórias de Maria José, neta de uma escrava maranhense


      Tive a oportunidade conhecer uma senhora chamada Maria José, 88 anos, nascida em São Luís do Maranhão,  neta de uma escrava. Compartilhei a história com meus alunos e, a partir da minha narração,  eles se colocaram no papel dessa mulher e escreveram suas memórias. Destaco este texto:

                                                               Negrinha maranhense
                Na minha infância, em São Luís, algo triste aconteceu e nunca mais saiu da minha cabeça: a  morte do meu irmão. Eu o havia matado? Eu era a culpada? Neta de uma escrava e filha de um italiano minha vida não fora nada fácil. Não fui louca e nem fiquei louca. A tragédia aconteceu porque havia uma criança cuidando de outra criança.
                Minha mãe, uma senhora baixinha e metida, adorava um baile e vivia em festas. Uma noite saiu para dançar e me pediu para cuidar do meu irmão, um bebê. Naquela noite ele não parava de chorar. Muito dedicada eu embalava o berço, cumprindo o prometido.  Como estranhei o silêncio do pequeno, resolvi vê-lo mais de perto. Como era pequena, peguei uma cadeira e aproximei-me do menino. Naquela época não havia eletricidade, então o jeito era enxergar com uma vela. Sem querer, deixei-a cair sobre os lençóis. A cama pegou fogo, o jovenzinho resistiu apenas um dia.
                A tristeza tomou conta do nosso lar. Minha mãe ficou doente e me deu para a minha madrinha. Acho que seria melhor assim. O que eu faria com uma mãe ausente? Uma mãe que nem me enxergava? Eu queria ser amada também...
                O tempo passou e fui morar no Rio de Janeiro. Um belo dia, caminhando por Copacabana, minha madrinha avistou alguém conhecido. Era ele, meu pai, um senhor já bastante envelhecido pelo tempo. Para mim não importava. Pela primeira vez estava vendo a imagem do meu pai.  A alegria tomou conta de mim e fui abraçá-lo. Ele me contou que já havia outra família. Fora apaixonado por minha mãe, mas ela era muito agressiva. Quando ele era jovem, um pouco antes de eu nascer,  inventou uma história que iria para a Itália visitar seus pais. Nunca mais voltou a São Luís do Maranhão.
                Acho que agora sei por que minha mãe morreu tão jovem: tristeza do abandono, tristeza da morte do meu irmão, tristeza da vida.

Nariele - Turma 611
Professora Daiane Fagherazzi
 

 

domingo, 30 de setembro de 2012

Semana Farroupilha - poemas da 611


                Com profundo respeito e admiração às tradições do meu Estado, Rio Grande do Sul, dediquei uma semana de atividades vinculadas à tradição gaúcha, justamente pela importância que a história da Revolução Farroupilha teve na construção da identidade do povo sulino. Para tanto, na Semana Farroupilha, depois de trabalhadas músicas, indumentária e cultura rio-grandense, sugeri que os alunos criassem obras que refletissem o universo no qual estão inseridos.  Por ser uma turma que gosta de trabalhar em equipe, permiti que fizessem os textos em grupos. Cabe ressaltar quem nem todos participam ativamente de CTG (Centro de Tradição Gaúcha) ou atividades afins, todavia percebi a riqueza de palavras e o interesse deles em serem fiéis ao universo do gaúcho. Destacam-se o amor à prenda e ao pingo; o gosto pelo fandango e pelo mate amargo; a indumentária típica, o linguajar regional e o cenário gaúcho. Eis as obras apresentadas:

Guria

Quando o sol vinha surgindo
Já estava na invernada
Enfreando meu pingo
Era um petiço muy bueno
Companheiro de jornada
Me levava para a escola
Ia a trote pela  estrada.

Sempre tinha uma coruja
Que de um moitão curiosa
me observava
Até não mais avistar
Quando chegava no brete
Tinha outra peonada
A nos esperar
Para uma carreira apostar
E me petiço bagual

Chegava em primeiro lugar.
Ainda passava por um bochincho
Antes de minha escola avistar
Quando voltava,  chegava na tapera
Apeava o meu pingo para descansar

Depois saía galopando
Até no rancho chegar
Abria a porteira
E lá estava meu cusco
A me esperar.

Quando o sol ia se escondendo
Por trás das coxilhas
Sentava ao lado do fogo de chão
Com uma cambona chiando
E a cuia na mão saboreando
Um chimarrão bem cevado

Me punha a sonhar
Que um dia cedo ou tarde
Uma cidade grande teria que enfrentar
E do meu petiço teria que me separar.

Nariele Gomes


Guria de Farroupilha

A guria de Farroupilha
só toma mate amargo
Joga truco e toca baixo
Arruma o rancho e não se boleia
Seu namorado é domador
Vai casar com ela porque é seu amor
Sempre fala pro seu laçador
Tchê! Se olhar outra prenda
Tu vai ver...
A guria ama música gaúcha
Principalmente as macanudas
Ela canta e encanta os guris
Gosta de vestidos,
mas prefere bombachas
Ela pede a Deus para sempre ser feliz
Não fiz paródia, mas fiz o que quis
Para mostrar como é a vida da chinoca
Ela adora comer lambari, o peixe daqui
E se deliciar com pinhão
Tudo isso é muito bom
Viver no seu  rancho
Na maior felicidade.

Kassiane Boeira e Rochelle

Orgulho de ser gaúcho

Vou com o meu pingo baio
Passear pela região
Tomar um mate amargo
E cozinhar um castelão
Nas coxilhas da estância
Puxo minha prenda e
Danço uma vaneira marcada
Jogo truco e me distraio
Minha mulher me acompanha
Na jornada da vida, tri legal
Sou um bom gaúcho
Esse é meu Rio Grande
Uma terra sensacional
Que tal?

Carol Bertolini e Kassiane Carvalho

No balanço do chamamé

Das palavras de meu pai
Cantigas belas poderiam ser feitas
Eu troteava pelas bailantas
Procurando uma chinoca faceira

Minha gaita de oito baixos
Fazia a gente dançar agarradinho
Um no outro
para ninguém nos separar

O chimarrão preparado
E um churrasco bem campeiro
Par esquentar a invernada
E tornar o galpão bem faceiro

As prendas de um lado
Os gaúchos do outro
Vão chegando com a chula
E se aprochegam 
na milonga marcada
Todo mundo se mexendo
E dançando um
chamamé figurado.

Stéfani e Gabrieli

Infância de um gaúcho

De uma prenda a outra
Vou levando meu amor
Não sou gaúcho de primeira
Mas levo dentro do meu peito
Muita emoção
Desde minha infância
Quis bombacha e bota de couro
Minha vida foi difícil
Nunca me deu nada não
Certo dia um guri do Sul
Me trouxe o traje de gaúcho de respeito
Cada verso que eu escrevi
É significado de amor e gratidão
Pra sempre levarei dentro de mim
Lembrança de sorrisos e dedicação.

Alana

Gaúcho bom

Gaúcho campeiro se acorda
Com o chimarrão
Vai logo dando um beijo
Na sua prenda
Encilha o pingo
e vai pro galpão
Na Semana Farroupilha
coloca a bombacha e as esporas
Pingo bagual é companheiro
A festança é no CTG
Campona e mate amargo pra valer
Semana de muita tradição
Danças, música e tanta animação
Conversa vai, conversa vem
Chega o fim do dia 
É hora de voltar para o rancho
Saudar a prenda  e dormir
Fogão à lenha aceso
É  fim de setembro
E o frio ainda quer persistir
Não me aborreço
Esta é a vida que levo
Escolhi ser peão
Cultuar coisas simples, sem rodeios 
Em meio a minha tradição.

Rohyron, Kenny, Everton


Gaúcho pra lá de gaudério

Hoje vou correr pro abraço
Com meu pingo e laço
Tomar  aquele chimarrão
Vou pegar minha prenda
Vestir a pilcha mais bela
Ir pra um fandangaço.

Com muitas músicas
Vou dançar a noite inteira
Lá no galpão
Vai ter muita prosa
Em torno do fogo de chão.

Aqui declaro a vocês
Que sou um grande gaúcho
Gaúcho de tradição.

Gabriel Pereira, Bruno Martins Godoy, Caio, Luiz Fernando

domingo, 3 de junho de 2012

RAPS DOS ALUNOS - Daiane Fagherazzi

Partindo da música "Linhas Tortas", de Gabriel Pensador, foi feito um debate sobre rap e uma reflexão sobre o texto. Depois os alunos foram convidados a desenvolver em duplas e trios seus próprios raps.

LINHAS TORTAS - GABRIEL PENSADOR
Alguns às vezes me tiram o sono, mas não me tiram o sonho.  Por isso eu amo e declamo, por isso eu canto e componho.  Não sou o dono do mundo, mas sou um filho do dono, do verdadeiro Patrão, do verdadeiro Patrono.
- E aí, Gabriel, desistiu do cachê?
- Cancelei um trabalho aí pra não me aborrecer.
- Explica isso melhor, o que foi que você fez?
- Tá tudo bem, eu explico pra vocês:
Tudo começou na aula de português.   Eu tinha uns cinco anos, ou talvez uns seis. Comecei a escrever, aprendi a ortografia.  Depois as redações, para a nossa alegria. Professora dava tema-livre, eu demorava pra escolher um tema, mas depois eu viajava. E nessas viagens, os personagens surgiam, pensavam, sentiam, choravam, sorriam. Aí a minha tia-avó, veja só você me deu de aniversário uma máquina de escrever. Eu me senti um baita jornalista, tchê, que nem a minha mãe, que trabalhava na TV. Depois, já aos quinze, mas com muita timidez fiquei muito sem graça com o que a professora fez. Ela pegou meu texto e leu pra turma inteira ouvir.  Até fiquei feliz mas com vontade de fugir. Então eu descobri que já nasci com esse problema. Eu gosto de escrever, eu gosto de escrever, crer ver.  Ver, crer, eu gosto de escrever e escrevo até até poema. Meu Pai, eu confesso, eu faço prosa e verso. Na feira eu vendo livro, no show eu vendo ingresso.  Na loja eu vendo disco, já vendi mais de um milhão.  Se isso for um crime, quero ir logo pra prisão.
- Ih, pensador, isso é grave, hein!
É, vovó dizia que eu já escrevia bem. Tentei me controlar, me ocupar com um esporte, surf, futebol, mas não era o meu forte.  Um dia eu fiz uns raps e achei que tava bom. Me batizei de Pensador e quis fazer um som. Ficar famoso e rico nunca foi minha meta. Minha mãe já era isso, eu só queria ser poeta.  Meu pai, um homem sério, um gaúcho de POA, formado em medicina, não podia acreditar.  Ao ver o seu garoto Gabriel com um fone nos ouvidos viajando com a caneta no papel.
- O que você tá fazendo? Vai dormir, moleque!
- Ah, pai, peraí, eu só tô fazendo um rap!
Ninguém sabia bem o que era, mas eu tava viciado naquilo.  E viciei uma galera! Meu Pai, eu confesso, eu faço prosa e verso.  Na feira eu vendo livro, no show eu vendo ingresso. Na loja eu vendo disco, já vendi mais de um milhão.  Se isso for um crime, quero ir logo pra prisão. Não tô vendendo crack, não tô vendendo pó.  Não tô vendendo fumo, não tô vendendo cola. Mas muitos me disseram que o que eu faço é viciante.  E vicia os estudantes quando eu entro nas escolas até os professores às vezes se contaminam.  Copiam minhas letras e textos e disseminam sementes do que eu faço, já não sei se é bom ou mau. Mas sei que muito aluno começa a fazer igual. Escrevendo poemas, escrevendo redações, fazendo até uns raps e umas apresentações.  Me lembro dos meus filhos e a saudade é cruel.  Solidão me acompanha de hotel em hotel.   Casamento acabou, eu perdi na estrada.  O amor que ainda tenho é o amor da palavra.  É falar e cantar, despertar consciências.  Dediquei a vida a isso e maior recompensa.  É servir de referência pra quem pensa parecido.  Pra quem tenta se expressar e nunca é ouvido.  É olhar pra minha frente e enxergar um mar de gente.  E mergulhar no fundo dos seus corações e mentes.  É esse o meu mergulho, não é o do Tio Patinhas.  É esse o meu orgulho, escrever as minhas linhas.  Eu escrevo em linhas tortas, inspirado por alguém.  Que me deu uma missão que eu tento cumprir bem.  Escuto os corações, como um cardiologista.  Traduzo o que eles dizem como faz qualquer artista.  Que ganha o seu cachê, que é fruto do trabalho.  De cigarra e de formiga, e eu não sei o quanto eu valho.  Mas eu sei que quando eu ganho, divido e multiplico.  E quanto mais eu vou dividindo, mais fico rico.  Rico da riqueza verdadeira que é de graça.  Como um só sorriso que ilumina toda a praça.  Sorriso emocionado de um senhor experiente em pé há duas horas debaixo do sol quente.  Ouvindo os meus poemas em total sintonia.  Eu sou ele amanhã, e hoje é só poesia.

Eis as obras dos alunos da sexta-série:

STÉFANI, BIANCA, GABRIELE
Vamos todos juntos num lugar especial
Vamos para um lugar onde tudo é normal.
A música nos roda e a escrita nos provoca.
A profissão nos contagia e a galera se agita.
Nossa família não entende, mas a gente compreende.
Todo mundo é viciado, mas ninguém é drogado.
Nosso vício é o estudo que gira em torno do mundo.
Matemática a gente calcula.
Ciência a gente procura.
Português a gente entende.
Inglês a gente compreende
E todo o resto a gente aprende.
Nossa família nos entende e agora.
Nos quer para sempre.
Ninguém nos julga
e todo mundo se ajuda.
Nossos sentimentos são ligados pelo tempo.
Ninguém nos julga,  ninguém tem medo.
Todo mundo tem sentimento.
Eu assisto à tv,  desenho animado,  terror,
comédia,  romance e nisso sou viciado.
Minha mãe sempre dizia
você vai ser um orgulho para nossa família.


ALANA
Histórias de vida
Hoje cheguei à aula e a professora me falou
um rap você vai ter que apresentar.
Não sei o que é isso,
mas já que estou aqui, vou tentar.
Peço que não dê risada, nem bata palmas.
Não sou melhor que você.
Nem você é melhor que ninguém.
Hoje só peço que todos se saiam bem.
Em um rap você pode expor  sua vida.
Mas lhe aconselho,  meu amigo,
cuidado com as palavras proferidas.
Podem se tornam doloridas.
Me pai morreu e agora não está mais ao meu lado.
Às vezes penso com o seria bom
Ter um camarada e receber um abraço apertado.
A vida da gente é como um quebra-cabeça.
Enquanto as peças não se encaixarem
Com a vida é difícil lidar.
Sem críticas, sem falar mal.
Só sou uma menina criando um rap legal.


CAIO E EDIOMAR
Morei na favela, joguei na seleção.
Joguei com o Ronaldinho, porque jogar é uma profissão.
Desejo felicidade para toda a multidão que aplaudiu de montão
quando Ronaldinho fez um gol para a seleção.
Argentina chorou de montão.
É mais um prêmio para exposição.
Muitos choram de felicidade
quando o capitão ergue a taça
com muita vibração, chorando de emoção.
Vou voltar para casa, treinar para mais raps criar,
 e meus colegas escutar.
A meus pais emocionar.
A galera vai delirar,
gritar meu nome sem parar.
É mais um desafio que eu consigo realizar.
Eu gosto de criar raps, cantar e me valorizar
pra a solidão eu espantar.

KAMILA E CAROLINE
Aldeia global.
Com tudo o que escuto,
com tudo o que eu vejo.
Os maiores sonhos sou eu quem planeja.
Vida é para ser vivida.
Correndo atrás de uma lição.
Agora to ligada na minha missão.
Pensando no futuro,
eu vi que errei.
Mas penso nas coisas certas
e digo, pô, eu também acertei.
A minha rima não faço pra humilhar
Faço pros manos se conscientizar.
Lá na escola eu não tava nem aí.
Mas olha a rima que eu escrevi.
Nas provas eu colava
e no final do ano me prejudicava.
Minha mãe não entendia.
Mas eu compreendia.
No meu rap eu mando ver.
O resto a gente aprende
O resto a gente crê.


OTÁVIO DORNELES NUNES E NICKOLAS DE MELO DORNELES DE LIMA
O que será que é português,  religião?
Porque a sora só fala em nossa dedicação.
Ela também fala sobre nosso paizão.
Apesar de eu não acreditar,
ela continua a falar.
É melhor aprender isso,  que ir morar no lixão.
Às vezes o que a sora fala parece piração,
mas eu sei que tem coração.
Tem gente que acredita, outras não.
Eu sou um que diz não.
Muita gente gosta de brigar.
Eu prefiro conversar.
Muita gente gosta de vingança.
Para mim a vingança nunca é plena,
mata a alma e envenena.
Meu rap a sora disse que gostou.
Não posso desconfiar.
Eis que estou aqui para apresentar.

BRUNO E EVERTON
Antigamente era o pai e a mãe
que escolhiam nossa profissão.
Hoje somos nós que escolhemos nosso  ganha pão.
Nas salas de aula para os trabalhos há instrução.
E os professores e diretores oportunidades dão.
Queremos uma vida mais fácil e melhor.
Nossos pais querem que nós
sejamos pessoas de ideais elevados,
mesmo estando longe e focados.
Há momentos em que ficamos distante deles.
Mas é preciso encarar as dificuldades.
e às vezes fugir de certas amizades.
A família é importante.
Às vezes atrapalha nossos sonhos.
Isso é um pouco enfadonho.
Mas tenho orgulho em dizer.
Como ela pode crescer.
Eu faço um rap, pode ver.
Decidi escrever, decidi vencer.
E isso é pra valer.


GABRIEL E BRYAN
                   O bem e o mal
Eu já fiz de tudo para ter meu ganha pão.
Nunca roubei, nunca fui ladrão.
Meus pais me ensinaram o que é bom
e o que é ruim.
Fui aprendendo com o tempo que
a vida é mesmo assim.
Nunca vendi droga, nunca fui um marginal.
Porque eu sabia que eu podia me dar mal.
Já me convidaram para fazer coisas “animal”
furtar e fumar não é o canal.
Mas eu dizia sempre “não me leva a mal”.
Não sou disso, não.
Sei a diferença do bem e do mal.
Sempre tive consciência do meu potencial.
Agora estou aqui na maior felicidade.
Fazendo meu rap com total liberdade.

MARCIELLY E KASSIANE CARVALHO
               O rap
Minha profissão é ser estudante.
Tiro livro da estante a todo instante.
Agora eu te explico, meu irmão.
Se tem algo contra, melhor falar não.
To na sexta-série, tenho muito a aprender.
Levando tapa na cara, mas com a certeza
que alguém na vida eu vou ser.
Agora eu te aviso.
Não gosto que me critique.
E nem fale mal.
Somos só duas meninas criando
um rap de igual para igual.
Meu nome é Kassiane
E eu sou a Marcelly.
Somos as criadoras dessa nova composição que dá moral.


BRUNA, ROCHELLE E THIAGO
                     As profissões
Vou falar das profissões.
Essa é minha missão.
Vamos lá então.
Dentista faz obturação.
Para não termos mais dor, não.
Os professores nos incentivam a estudar.
E a professora Daiane nos instiga a poetar.
O padeiro faz  pão quentinho
para os fregueses mais gulosinhos.
As empregadas limpam toda a casa.
Deixam um cheirinho gostoso até de madrugada.
As cozinheiras fazem ótimas comidas.
Ai, que delícia, comemos até nas avenidas.
O advogado nos defende da prisão.
Eles merecem muita consideração.
O delegado cuida da nossa cidade.
Que beleza, segurança à sociedade.
O vendedor vende e alegra muita gente.
Então vamos estudar para uma profissão exercitar.

JOANA, KARINE, KASSIANE
Na escola aprendo a ABC.
Em casa só eu posso saber.
Quando era pequena
Ficava pensando quando eu iria me formar.
Hoje penso muito antes de uma prova realizar.
Boa nota quero tirar para me orgulhar,
sim, me valorizar.
Veja só, o futuro depende só de mim.
Tenho um propósito, e tudo tem um fim.
Quando eu era pequena,
separava as sílabas.
Agora faço até poesia
Isso vale muito para mim.
Vou me dedicar e meu rap apresentar.
Para um 10 eu ganhar.

domingo, 20 de maio de 2012





                A partir do filme “A Corrente do Bem”, os alunos da 6ª série foram convidados a desenvolver um projeto intitulado “Passe adiante”. Foram lançadas ideias que pudessem contribuir para uma sociedade melhor, mais humana, diferente. Queremos inspirar a cultura da gentileza, da educação, do coleguismo, do amor, do altruísmo. O importante é perceber que existem pessoas ao nosso redor e somos responsáveis de certa forma pelo bem-estar e felicidade delas.

"MUDA, QUE QUANDO A GENTE MUDA O MUNDO MUDA COM A GENTE".  Gabriel, o pensador
               Eis os trabalhos que, inicialmente, foram apresentados oralmente:

 NARIELE GOMES E CAMILA SENE
                         Projeto “Dia de contar seu problema.”
     Nós, alunas, vamos passar em todas as salas do colégio e entregaremos papéis para os alunos escreverem seus problemas. Vamos ler sem fazer julgamentos, críticas e tentaremos ajudar no que for possível. O altruísmo é um ato nobre, e nós estamos nessa vida também para sermos úteis às pessoas. Contribuir para a felicidade do outro torna a vida mais iluminada.

                       EVERTON DA SILVA GARDINI
                                  Projeto Passe Adiante
                Faremos um caderno de oração e o deixaremos no corredor da escola para as pessoas escreverem seus nomes. Assim, por meio da oração, aproveitaremos uma parte do recreio para dedicarmos nosso tempo aos outros. Sabemos que, ao abençoar o próximo, automaticamente as bênçãos retornam a nós. O bem gera o bem. 

GABRIELI E GABRIELI

                                      PROJETO “Comportamento exemplar em casa”
                    Se minha família não tem bons modos, eu vou começar a ser diferente.  Dessa forma minha família perceberá que tenho um comportamento exemplar e, provavelmente, seguirá meu comportamento. Assim passaremos a ideia ao maior número de pessoas amigas, como uma corrente. Acreditamos que muitas famílias se transformariam se um membro dela iniciasse. Somos como luzeiros: um iluminando, todos se iluminam.  


BRUNO E BRUNA           
                Colabore todos os dias com as pessoas do seu convívio.  Mesmo que elas digam alguma coisa que você não goste, perdoe-lhes, pois a vida é feita de amigos, amor e paz.

LUCAS DALVA E LUCAS STORCHIO
                                 Projeto da Família
        O nosso projeto irá ajudar a sua família. Não perca tempo com brigas e reclamações. Seja diferente, tentando mudar seu comportamento.
Manhã: Se sua mãe estiver mal-humorada, elogie-a, assim ela ficará feliz.
Tarde: Faça os serviços que sua mãe mandar, assim ela irá ficar contente.
Noite: Deixe sua mãe assistir à TV e faça seus temas, assim ela ficará orgulhosa.
Faça sua parte. Pode ter certeza que sua vida será muito mais harmoniosa e feliz.

STÉFANI ROSA DOS SANTOS E WALTOR
                            PROJETO MENSAGEM DA VIDA
                O nosso projeto vai ser feito todas as sextas. Levaremos sempre uma mensagem para as pessoas. Passaremos em  farmácias, lojas, hospitais, postos, locais de trabalho, entre outros. Também entregaremos mensagens para as pessoas que passarem pela gente. Na escola também será feito o projeto.

BRYAN CARDOSO E CAIO FILIPE
                                   Projeto “Diga um oi”
              As pessoas atualmente estão muito fechadas, com medo de tudo, de todos. Antigamente não havia essa preocupação.  As pessoas conversavam bastante, até com quem elas não conheciam. Então, seja diferente, pratique o ato de dizer “oi!” para ver se elas vão responder de modo feliz, com um abraço, um sorriso, um caloroso “oi”.


KASSIANE BOEIRA
                     Projeto “De bem com a vida” 
                FAZER UMA  URNA. UTILIZAR QUATRO CORES: AMARELO A FIM DE DIZER   ALGUMA COISA  DE  BOM  PARA  UM AMIGO;  VERDE,  FAZER  ALGO  PARA  AJUDAR   A  NATUREZA;  BRANCO, PRATICAR UM ATO DE  BONDADE. A URNA PODE SER FEITA COM UMA CAIXA   DE  SAPATO  ENFEITADA.  CADA UM  DOS  ALUNOS  TIRA  UM PAPELZINHO  QUE  INDICA  A  COR E PARA ASSIM  FAZER QUAL A TAREFA A SER CUMPRIDA.

BIANCA E KARINE
                Projeto “Ajudando as pessoas carentes.”
                Nós podemos distribuir lembrancinhas para as pessoas na rua. O local escolhido vai ser na Praça da Matriz. As lembrancinhas serão confeccionadas com tecido e sabonete. Haverá também cartõezinhos com mensagens positivas.

MARCIELLY E LUIZ
                                    PROJETO “AJUDE OUTRA FAMÍLIA”
                 Nosso projeto tem como objetivo a reconciliação em família.  Cada um vai falar seu problema para outra família. Dessa forma as famílias tentarão se ajudar.  
                Vamos fazer um dia do abraço e do perdão para cada família. Com isso queremos despertar nelas o sentimento de amor, carinho, companheirismo, respeito entre pais e filhos. 

KAMILA, CAROLINE, NICKOLAS
                                       Projeto “Lição de vida”
                O nosso projeto é feito para você  lembrar e relembrar que sua vida é bela , que cada  instante que você está vivendo vale a pena. Cada meta conquistada, cada sonho alcançado, cada lágrima caída. A vida é maravilhosa.  Só depende de você para ela ser mais ainda. Tenha orgulho de si mesmo e ajude outras pessoas. Nosso projeto é uma lição de vida. Lembre-se que sua vida vale a pena.
                Será realizado na Praça da Matriz dia 18.05.12. Entregaremos cartões com frases e lembrancinhas.  

Kasssiane de Carvalho e Thiago Mureas
                    Projeto  “Dê uma segunda chance”
                Começamos por nós mesmos. Podemos nos lembrar de uma pessoa que nos decepcionou e, por esse motivo, não estamos mais falando com ela. Devemos dar uma segunda chance. Pedimos que todos façam a mesma coisa com outra pessoa, um “passe adiante”. Assim as pessoas vão perceber que um pequeno ato pode mudar o mundo. Ninguém é perfeito. Todo mundo erra e merece uma segunda chance.

 JOANA, GUILHERME E ALANA
                         Projeto “Ajudando uma pessoa.”
                Se uma pessoa da sua sala ou de fora dela está apresentando com um comportamento violento, tente conversar com ela e dê um abraço. O mundo pode mudar com singelos atos de amor. Certamente você fará a diferença no mundo. E muitos terão orgulho de você e possivelmente o seguirão. Amor gera amor, respeito gera respeito, carinho gera carinho. O projeto pode ser realizado também fora da escola.

Professora Daiane Fagherazzi