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quinta-feira, 22 de novembro de 2012
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Projeto Ciência e arte textos dos alunos
Turma 202:Adriana,Juliana e Jean
Páginas
de Amizade
Essa
aventura que vou relatar para vocês aconteceu em um passado não muito distante,
aqui num colégio da cidade, mais precisamente na biblioteca. Nela havia centenas
de livros com matérias diversas. Todas essas matérias na maior parte do Tempo(t) viviam em perfeita harmonia,
tirando alguma discussão aqui ou ali, mas sem usar a Força (F). Cada uma tinha sua personalidade como, por exemplo, a
História que era gente fina, mas muitos reclamavam que ela se prendia ao
passado. Tinha a Matemática que adorava ficar contando inúmeras vezes a mesma
coisa até perder o Oxigênio (O). A
geografia devia ter viajado muito, pois parecia conhecer todos os lugares. O
dicionário era bem popular, mas era muito tagarela. No entanto, o que
mais chamava a atenção na biblioteca, era a amizade de Ouro(Au) de três matérias em especial: a Biologia, a Física e a Química, ou como elas gostavam de ser
chamadas a Bibi, a Ísi e a Mica. Chegadas há pouco Tempo(t) elas eram jovens matérias adolescentes. Elas se destacavam
naquele lugar pela brancura de suas páginas e pela agitação que promoviam. Elas
adoravam conversar com os livros de Aventura, ou brincar com os contos
Infantis, às vezes, levavam bronca das matérias mais experientes, mas nunca deixavam
de se divertir. A maior alegria das três era provocar dor de cabeça nos alunos
da escola que iam até a biblioteca estudar. Isso lhes proporcionava horas de
risos. As
inseparáveis Bibi, Ísi e Mica acordavam bem cedinho, logo que a bibliotecária
chegava com sua garrafinha de H20 cantando
as músicas do Rádio(Ra). Ela não era
a Paula Fernandez, mas quebrava o Gálio(Ga).
Pela manhã o período era de bastante estudo, pois os alunos sempre recorriam a
seus conhecimentos. A tarde era mais tranquila e geralmente elas podiam relaxar
suas páginas em cima da mesa e jogar conversa fora observando os alunos mais
novos procurarem livros com bastantes gravuras. Os assuntos eram diversos. Mica
adorava ficar horas falando dos elementos da Tabela Periódica. Zn(zinco),
Ti (Titanio), Mn(Manganês), Zr (Zircônio), Mg (Magnésio), Se (Selênio) e
assim continuava até Bibi cansar e começar a falar de Genética, Evolução, Fisiologia, Citologia, Anatomia, Embriologia e
muitas outras coisas. E Ísi não deixava por menos, falava de Dinâmica, Estática, Princípio de Pascal,
Experiência de Torricelli, Teorema de Stévin, Termologia, Eletrostática e
assim ficavam até cansar. No período da noite, por
vezes, elas participavam de pesquisas e estudos, mas na maior parte do tempo
iam dormir bem cedo. A bibliotecária sempre colocava as três juntas na
prateleira de uma estante de Alumínio(Al)
lá no finalzinho do corredor onde elas deixavam suas páginas no Repouso até a manhã seguinte.
Novos
Horizontes
Para as três novatas, a vida parecia perfeita. A
princípio não havia do que reclamar, pois aparentemente tudo girava ali, dentro
das paredes daquela sala de livros.
Porém,
algo que acontecia na biblioteca intrigava Bibi. Das três, ela era a que mais
prestava atenção aos detalhes, diferente de Ísi, a mais Elétrica, cheia de Energia(E)
e de Mica, que sempre tinha uma Reação Química
amedrontada para tudo o que era novo. Mas Bibi não parava de pensar naquele
mistério que acabava lhe consumindo boa parte de seu pensamento. Em uma dessas
tardes que elas costumavam conversar, Bibi resolveu questionar as amigas:
- Estive pensando em uma
coisa nesses últimos dias.
-
Nossa, que milagre! - comentou Ísi.
-
Estou falando Cério(Ce).
-
Então, conte logo para nós duas! - disse Mica.
-
Estive observando o Movimento (M) dos
alunos aqui no Espaço(S) da
biblioteca. Eles vêm aqui estudar. Tanto nós três, quanto diversas outras
matérias ajudamos eles nessas tarefas, mas pude notar que alguns livros saem
daqui e vão para fora junto com eles, e nós fizemos parte de uma categoria que nunca
teve um Deslocamento (ΔS) através daquela porta. -
Sabe que você tem razão Bibi, agora até deu vontade de ir lá para fora da
biblioteca. - disse Ísi. - Vocês duas só podem estar
brincando, né! A nossa vida é maravilhosa aqui dentro, para que saber o que há
lá fora? - questionou Mica, já com medo de onde essa ideia poderia chegar. Então,
Bibi respondeu:
- Não estou
brincando! Eu gostaria de saber o porquê de nós ficarmos sempre aqui dentro. -
Então eu acho que já sei para quem devemos perguntar amigas! - sigam-me, disse
Ísi.
Em
Busca da Verdade
As três foram em alta Velocidade(V) até uma das estantes mais próximas da mesa da bibliotecária.
Lá elas iriam se encontrar com quem poderia responder essa pergunta. Ísi sabia
que se queriam descobrir alguma coisa deveriam recorrer às palavras de
sabedoria do bom e velho Dicionário. - Que boa ideia Ísi, nem
tinha pensado em perguntar para o seu Aurélio! - exclamou Bibi. Já
chegaram naquela ansiedade e cheias de esperança de receber uma Solução interessante. -
Bom dia, seu Aurélio! - gritaram as três de uma só vez com tanta força que o
Dicionário pensou que uma Bomba Atômica
havia explodido.
- Como vão meninas, tudo
bem?
-
Estamos ótimas, mas com uma dúvida, por isso temos uma pergunta para fazer ao senhor.
- disse Ísi. -
Podem fazer minhas meninas.
-
Já faz muitos anos que o senhor vive nessa biblioteca, então por toda sua Propriedade e sua Experiência, gostaríamos de saber por que algumas matérias e livros
são alugados e vão com os alunos para casa e outros, como nós três, ficamos
aqui dentro? - questionou Bibi. -
É muito simples de entender, é que vocês fazem parte de uma categoria de livros
que não podem ser retirados pelos alunos. Para isso vocês deveriam estar
expostas nas prateleiras cor Prata(Ag),
da esquerda, que é onde ficam os livros alugáveis. Logo
que o Dicionário disse isso, Ísi prontamente falou para suas amigas:
- Temos que
dar um jeito de conhecer o mundo lá fora. Há um certo Magnetismo que cria uma Atração
incontrolável de ir para lá. Deve ser a maior Adrenalina. Muito Massa
mesmo. Estou cansada de viver nessa Célula
Microscópica. - Não me Cobre(Cu) isso. Eu não saio da
biblioteca nem em xerox. - disse Mica. Posso não valer um Níquel(Ni), mas não arredo o pé daqui. -
Eu também tenho muita vontade de conhecer novos lugares e gostaria de saber
realmente como tudo o que nós ensinamos para os alunos é posto em prática no
mundo dos Seres Humanos. - disse
Bibi. Ouvindo
tudo atentamente o seu Aurélio resolveu dar um conselho para as três.
- Meninas, o mundo lá fora é
fascinante, mas também cheio de perigos. Já frequentei muito as ruas e a casa
dos estudantes. Realmente é incrível, mas o preço a se pagar às vezes é alto.
Vejam, estou velho, com a minha capa toda rasgada, cheio de orelhas em minhas páginas,
tudo pelo descuido de certos alunos. -
Eu avisei meninas, não é uma boa ideia. - disse Mica.
Perto dali estavam as matérias de Português e Artes, que
haviam acabado de chegar de viagem. Elas escutaram toda a conversa e resolveram
se intrometer.
-
Ora ora, veja só quem está querendo se aventurar no mundo lá fora, Art. As três
caçulas da biblio. - É o que parece
Pórt. - concordou Art.
Ísi
não gostou nada do comentário delas criando um certo tipo de Estática no ar, e resolveu retrucar: -
Vocês estão implicando com nós por quê? Talvez porque a Pórt sabe se expressar
muito bem e a Art tem a fama de ser a mais bela da biblioteca.
- Calma
meninas, não queremos ter um Atrito
com vocês. Só queremos ajudá-las a conhecerem o mundo. - disse Art.
-
É muito fácil, disse Mica, é só ir para as estantes da esquerda. Mas preferimos
ficar aqui, na nossa Inércia.
- Calma amiga, não precisam ter medo
de sair daqui, vocês não fazem parte da Cadeia
Alimentar dos humanos. A expressão “devorar livros” significa estudar para
eles. - disse Pórt. E
não é tão simples assim. Vocês têm que sair daqui na mochila certa ou então não
vão aproveitar a viagem e ficarão em Órbita
nas mãos de um aluno cabeça dura como Ferro(Fe). -
Mas, e quem é o aluno certo? - indaga Bibi.
-
Ora, todos sabem que é o Hélio (He).
Ele é o menino mais inteligente do Universo.
O estudo está no DNA dele! - disse
Art.
Então
as três começaram a pensar se deveriam aventurar- se e ir junto com o estudante
ou continuar na biblioteca vendo a Circulação
dos alunos. De repente, Hélio(He)
entra correndo na biblioteca com seu amigo Césio(Cs).
Ele estava com a Respiração
profunda. Tinha se atrasado para os estudos.
A
Hora da Decisão
Pórt e Art notaram o momento de Tensão e disseram às três:
-
A hora é agora. Vocês irão ou continuarão a viver em seu Habitat como sempre? -
Nós iremos sim, mas como faremos?
- Fiquem em cima daquela
mesa, junto com os livros para alugar. Tenho certeza de que ele não resistirá a
beleza de suas capas, a brancura de suas páginas e o conteúdo de suas matérias.
- disse Pórt. Não
demorou muito e Hélio(He) colocou
seus olhos nas três matérias em cima da mesa. Ficou tão entusiasmado em alugá-las
que até seu Sistema Respiratório
havia se alterado. Ele não teve dúvida, alugou as três de uma só vez. As amigas
deram uma olhada na biblioteca antes dele fechar a mochila e seguir viagem.
Durante a viagem para casa de Hélio(He) elas conversavam sobre qual era o principal objetivo da viagem.
Então Bibi falou:
-
Acho que deveríamos aproveitar esse tempo fora da biblioteca para observarmos,
na prática, o que nós ensinamos através de nossas páginas.
-
Concordo, mas não vamos esquecer de ajudar o garoto nos estudos né! - lembrou
Ísi. -
Será que vai demorar muito para chegar a casa dele? Porque meu Corpo já está cansado de ficar dentro
da mochila. Vocês duas estão em cima de mim e pesam que nem Chumbo(Pb)! - reclamou Mica. - Não reclame, Mica. Desde quando
livro tem Sistema Nervoso para
sentir dor? - indagou Bibi. -
Pare de me tratar como um Objeto,
não sou só uma Matéria(M), tenho
sentimentos! - retrucou Mica. Enquanto as três
discutiam, o garoto parou e colocou a mochila em cima de uma cadeira. Elas
pensaram que haviam chegado a casa dele e então resolveram espiar e tiveram um
espanto: estavam em um quarto de hospital! Hélio(He)
tinha ido visitar seu avô Berílio(Be),
que estava doente. - Olhe, o garoto veio visitar o avô! - disse Mica.
- O velho parece Estanho(Sn), será que ele está doente?
- pergunta Ísi.
-
Façam Silício(Si)! Vocês duas podem
acordar o avô de Hélio(He). Acho que
ele deve estar com algum Vírus ou Bactéria. - constatou Bibi.
-
Queria ir logo para a casa dele, aqui no hospital não tem nada que possamos
observar sobre nossas matérias... – disse Mica
-
Ai é que você se engana garota! – exclamou um desconhecido.
- Quem
é o senhor? perguntou Ísi.
Enfim,
as Respostas.
-
Eu me chamo Pront, sou um Prontuário Médico. Eu posso afirmar que vocês estão
enganadas, pois tenho muitas coisas para mostrar a vocês com Relatividade a suas matérias. -
O que, por exemplo? - questiona Bibi.
-
Ora, há muita Biologia aqui no
hospital. O avô do garoto está gripado e, portanto, está com um vírus que você sabe muito bem o que é.
Todas as pessoas aqui no hospital também são seres biológicos. Biologia
é o estudo da vida. E vida é o que mais se cuida aqui. - É mesmo, acabei esquecendo
esses detalhes... - falou Bibi.
- E eu, onde posso me ver aqui? -
indagou Mica.
-
O processo químico está muito
presente no hospital, mas para citar algo em específico, a grande parte dos
remédios contém suas químicas, então
você auxilia no tratamento dos pacientes. -
Verdade mesmo, que honra para mim! - exclamou Mica.
- É minha
vez! - disse Ísi.
-
A Física é muito importante para
manter tudo funcionando através da eletricidade,
por exemplo, mas você atua também em diagnósticos de doenças por meio do Raio
x, que são Emissões Eletromagnéticas. Sem contar em muitas outras áreas.
Ísi se impressionou.
- Nossa, que bacana tudo isso que
você disse seu Pront.
-
Vou dar um conselho para vocês três: quando estiverem na rua ou em qualquer
lugar diferente, observem bem ao seu redor e descobrirão muitas coisas relacionadas às suas matérias. -
Obrigada pelo conselho, seu Pront, agora nós temos que ir porque o Hélio(He) já está de saída. Tchau
amigo!
- Tchau garotas, e não
se esqueçam de meu conselho.
E
realmente elas não esqueceram. Enquanto o menino fazia o deslocamento para casa elas
observavam tudo atentamente pela mochila e ficavam cada vez mais surpresas. Bibi ficou maravilhada com tudo.
-
Olhem só, amigas. Os seres vivos, os vegetais, os humanos, os animais, fungos, as bactérias, os vírus,
suas características e funcionalidades. Tudo o que minha matéria estuda visto na
prática. Isso é muito emocionante.
E Mica não ficava para trás: -
Olhem só, vocês duas, Alumínio(Al), Zinco(Zn), Cobre(Cu), Ferro(Fe), Oxigênio(O), Carbono(C), está tudo aí. Os Gases,
os Metais, os Lantanídeos, os Actinídeos
e todo resto. Eu nunca poderia imaginar que eu iria encontrar tudo isso no dia
a dia dos humanos. Ísi
estava nas nuvens com o que estava vendo.
-
Nem posso acreditar, tudo está nas ruas, nas calçadas, no ar! Força, Movimento, Atrito, Aceleração, Velocidade, Tempo, Repouso, Espaço e tudo mais. Que
felicidade saber que estou sendo útil para a vida como um todo.
E
assim elas passaram aqueles dias juntas de Hélio(He).
Se surpreendendo cada vez mais vendo como suas matérias estavam presentes em
tudo o que observavam. Esse Tempo(t) passou
e elas voltaram para a biblioteca, cheias de histórias e aventuras para
compartilhar com seus amigos. Elas foram alugadas muitas outras vezes e sempre era uma Experiência nova. Mas compreenderam,
acima de tudo, que sua maior função é ser um canal de aprendizagem para melhor
entender as funcionalidades que a vida apresenta. - E, quanto a
mim, sou fruto dessa aventura vivida por Bibi, Mica e Ísi. Fui criado por três
alunos dessa escola para relatar a importância dessas matérias e hoje vivo na
biblioteca. Sou amigo da Bibi, da Mica, da Ísi, da Art, da Pórt e, é claro, do
seu Aurélio. Sou ainda muito jovem, mas estou ansioso para ser um livro tão
útil como eles são.
FIM.
Turma 211:Anderson Pavão,Tiago PC
Numa tarde de domingo, aconteceria um grande choque quase Eletromagnético, o time de Rutherfórdio que jogava em casa na cidade de platina, contra o time deCalifórnio que contava com o craque Vanádio que veio da Európia.
O jogo ia ser realizado no Estádio Artrópode e recebia uma grande torcida naquela ocasião mesmo com a grande altitude e a falta de oxigênio. Quem não pode comparecer acompanhou pela TV e pelo Rádio. Compareceram ao jogo famosos como Einstenio Gárcia, Nelson Mandela, vencedor do prêmio nobélio da paz.
Os times iam a campo com a seguinte escalação: Rutherfórdio: Cálcio, Rubídio, Césio, Bário e Índio, Frâncio, Hélio, Laurêncio e Lutécio, Germânio e Polônio. Já o técnico do time de Califórnio mandou a campo o seguinte time: Netazoa, Fungi, Monera, Clorofila e Musca, Bactéria, Vírus, Célula e Zigoto, os atacantes Dna e Rna.
A temperatura variava, e a pressão da torcida era grande, enquanto o árbitro fazia o sorteio com sua moeda de níquel.
E começa o jogo, a equipe de Rutherfórdio já pressionava e se deslocava por todo comprimento do campo, mas o time de Califórnio se defendia com grande Hássia, e tentava os contra-ataques, inclusive o jogador Rna acabou chutando a bola e quebrando a proteção de vidro que havia atrás da goleira, e o primeiro tempo terminou 0x0.
O segundo tempo começou em grande velocidade, com oportunidades para os dois times, até que Vanádio, grande craque da Európia abre o placar com um gol noângulo. Mas em seguida Lutécio empata a partida num lance de sorte, contando com a falha do zagueiro Fungi. A partir daí o jogo ficou mais disputado, em uma dividida de bola entre Índio e Bactéria a bola acabou atingindo o telhado de zinco da casa mata de Califórnio, gerando um grande atrito com os envolvidos.
O clima do jogo ficou estanho, a pressão de Rutherfórdio aumentava e a partida chegava ao seu final. O time da casa se jogou para cima de seu adversário. Nos acréscimos Hélio perdeu a bola no campo de ataque, então gerando o contra-ataque, Musca, com a posse de bola, passou para o volante Vírus, que trabalhou a bola e entregou para Zígoto que em um drible desconcertante se livrou da marcação e deu um lançamento de gênio para o atacante Dna que invadiu a área e trombou com o zagueiro, valorizando sua queda, o árbitro, que estava em um ângulo que não favorecia sua visão marcou pênalti. Todos da torcida e o time ficaram revoltados. Momento de tensão no Estádio Atrópode, um pênalti que poderia dar o título aos visitantes, aos 47 do segundo tempo.
O atacante Dna põe a bola na marca do pênalti, sob ele, tendo a frente apenas o goleiro Cálcio, Dna corre para a bola e surpreende todos com uma cavadinha, é gol!
Termina o jogo, a torcida invade o campo para tirar satisfações com o árbrito, os policiais entram em ação e neutralizam os elementos.
Sendo assim, Califórnio ficou com o título. E o encarregado de entregar as medalhas de ouro e prata foi o astro da novela das nove, Berílio Benício.
Obs: todas as palavras em itálico são expressões de matérias tais como: Química, Física e Biologia.
Escola Estadual Farroupilha, Turno da Tarde. Alunos: Anderson F. Pavão e Tiago P.C.
sábado, 17 de novembro de 2012
Nobre trabalho - Olimpíadas da Língua Portuguesa - Profa Daiane Fagherazzi
Nobre trabalho
Vívido
trecho de um episódio contado por minha generosa "nonna",
"Bitele, dame le nozele?", "Mi no!", ressoa em minha
mente. Mais de vinte anos se passaram e
ainda sinto sua voz terna me contando em dialeto vêneto a história de um menino
teimoso que não queria dividir as nozes com sua irmã. Certamente algo dentro de
mim não quer esquecê-la. São as marcas de família, minha identidade, minhas
memórias... Além de escutar belas narrativas, meu mundo, por longos anos, girou em torno de livros: diferentes autores, figuras memoráveis, textos fascinantes. Nova Milano, típica paisagem interiorana, convidava-me a passar as manhãs presa ao ambiente literário, e eu amava. Em frente a minha casa existia uma árvore. Nela meu pai construiu uma estrutura de madeira, carinhosamente chamada de cabana aérea. Essa muito participou da minha infância leitora e feliz.
Este ano tive a oportunidade de participar das Olimpíadas de Língua Portuguesa. Transitar com maestria em meio à leitura e à escrita é missão de todo professor e um vício para mim. Assim, fui convidada para a formação continuada de professores mediante estudos mensais. Nos encontros, abordou-se "lugar onde vivo" com o intuito de escrever não só sobre o local onde se vive, mas estimular novas leituras, pesquisas e reflexões. Foi ressaltado que o tema deveria se enquadrar em textos com ponto de vista próprio e singular, isto é, numa perspectiva pessoal. Como o gênero "memórias" articula o passado ao presente, destacou-se a importância da escolha da pessoa a ser entrevistada, a seleção e a organização de informações relevantes acerca dela.
Li os cadernos didáticos e, a partir deles, tracei uma diretriz para as práticas. Propus atividades que contribuíssem para a descrição de personagens, costumes, cenas, lugares, sensações, impressões. A coleção Na Ponta do Lápis também contemplou os seguintes aspectos: progressão textual, aspectos linguísticos como a retomada de referentes, nexos temporais, tempos verbais, indicadores espaciais e utilização do discurso direto e indireto.
Escrever não é um talento natural. É uma habilidade que pode ser desenvolvida. O aluno-autor vai tendo maior autonomia na medida em que sabe o que dizer, como dizer, quais expressões usar, além de avaliar e ajustar o que foi dito.
Então, para enriquecer o estudo, baixei vídeos sobre as Olimpíadas e salvei alguns textos vencedores e os projetei na sala de aula a fim de os jovens mergulharem no tema. Houve períodos em que eles foram à sala de informática, entraram em contato com o site, leram várias produções e escolheram uma para ser refletida. Topicalizaram oralmente aspectos importantes do gênero "memórias literárias" - abordado anteriormente em sala - e ressaltaram os traços de autoria do texto selecionado.
Os encontros proporcionaram espírito investigativo e refinamento linguístico. Além disso, assistimos a dois filmes que contribuíram para o caráter narrativo em primeira pessoa: A Vida é Bela e Escritores da Liberdade. Os estudantes escreveram textos, colocando-se no lugar dos personagens. Foram realizadas atividades de reescrita que auxiliaram na polidez textual.
Creio que o professor-escritor incita os educandos ao hábito saudável da escrita. Dessa forma, escrevi um texto intitulado "Minha amiga do peito". Retratei as peripécias de uma jovem garota em uma pequena cidade do Rio Grande do Sul e sua parceira inseparável, a Caloi: "Quantas sensações indescritíveis vivia ao compartilhar com minha estrela as pedaladas portão afora. Ousadia não faltava naquele corpinho magro e corajoso de menina levada. Minha Caloi representava muito mais do que uma diversão. Ela fazia parte das emoções diárias".
Concluída a leitura, analisamos os diferentes aspectos do gênero em questão. Os alunos se identificaram com o humor, conseguiram visualizar a história e foram tocados por diferentes sensações. Reminiscências carregam esse encanto...
Na sequência, com a autorização da direção, um casal de senhores esteve na escola para relatar a infância deles. Fotos antigas contribuíram para ilustrar a sociedade urbana e rural da época. Olhos acesos, rostos curiosos se destacavam em meio a tantos discursos provocantes. Passagens tristes, alegres, cômicas, reflexivas envolveram a todos.
Após a apresentação de ambos, os estudantes construíram uma "memória", considerando os relatos anteriores. Não houve tanta dificuldade em se colocarem no lugar de outra pessoa visto que já era familiar essa proposta de trabalho.
Foi uma tarde especial. Não estava no script, mas até o choro fez parte da ocasião. Fomos tocados pela fala de cidadãos comuns que se permitiram, através de suas recordações, retratar suas histórias e transmitir a emoção vivida em períodos difíceis e marcantes das décadas de 40 e 50. Conjugaram-se história, geografia, religião, filosofia, enfim, uma lição de cidadania.
Nesse ambiente temático, foram desenvolvidas belas memórias, e uma delas teve um destaque maior: classificada para a etapa regional das Olimpíadas de 2012. A história, hoje, faz parte não só das lembranças da Dona Riciene, a senhora que abrilhantou uma tarde no Colégio Estadual Farroupilha. Está presente na fala e na escrita de jovens que tiveram a oportunidade de compartilhar passagens significativas dessa mulher. Além disso, fomos provocados a conversar com Farroupilha de outrora, berço da colonização italiana e solo de Nossa Senhora de Caravaggio. Conduzir esse diálogo renovou meus sentimentos.
Vale a pena ouvir; vale a pena imaginar e escrever; vale a pena viver e reviver, nonna mia...
Professora Daiane Fagherazzi
Notas:
"Bitele, dame le nozele?", "Mi no!"
significa no dialeto vêneto italiano "Bitele, me dá as nozes?"
"Eu não!""Nonna" significa "avó".
OLIMPÍADA DA LÍNGUA PORTUGUESA - SÃO PAULO - Medalha de bronze - Profa Daiane Fagherazzi e aluna Kassiane Custódio de Carvalho
http://www.youtube.com/watch?v=iLG-Zg-aMVw
A Olimpíada da Língua Portuguesa foi muito emocionante. Tivemos quatro dias de muito aprendizado e companheirismo. Valeu por tudo que passamos. Uma experiência que ficará marcada para sempre. Cabe destacar que foram 3 milhões de textos em todo o Brasil nos gêneros memórias, poemas, crônicas e artigo de opinião. A Kassiane ficou entre as 125 melhores do Brasil - no gênero memórias - com medalha de bronze. Valeu, querida. Tu és uma vencedora.
No avião da Gol,
partindo para São Paulo.
Aproveitamos para ler toda a viagem, né, Kassi?
A MEDALHA É DE BRONZE, MAS
NÓS SOMOS DE OURO!
Nós somos apaixonadas por leitura...
Praça da Sé - São
Paulo
Estudamos bastante...
Professoras amigas e vencedoras. Elas vão para Brasília.
Livros que ganhei em São Paulo.
Ótimo investimento.
Kassiane curtiu os amigos "Fernandos" Pessoa na Rua 25 de Março. Esta rua também é cultura, minha gente. Recebemos inclusive um poema do ilustre escritor.
Eu e Kassiane tivemos a
oportunidade de ir ao Museu da Língua Portuguesa. Foi um banho de conhecimento,
cultura, boas sensações...
Kassiane Custódio de Carvalho
ENTRE BOLAS E FANTASIAS
Tudo mudou, mas belas imagens recompõem cenários adormecidos na minha memória...
Quando eu era pequena, aos domingos, nos reuníamos com amigos em São
Marcos, interior da cidade de Farroupilha, Rio Grande do Sul. Brincávamos de
amarelinha, futebol. Subíamos em árvores. Meu forte era o campo de futebol. Me achava a zagueira, apesar de me adaptar a
qualquer brincadeira. Parecia atleta. Amava ver e fazer teatro. Diziam que era
pecado, algo proibido. Eu fazia o papel de Carmem Miranda. Frutas e afins
bailavam sobre minha cabeça.
Naquela época não havia carro. Usávamos carroça. Ia ao centro da cidade
com meu pai. De lá partíamos a Caxias do Sul, cidade vizinha, de trem. Me sentia
gente grande. Minha alegria era comer pão d'água e tomar gasosa, uma espécie de
refrigerante. Chegávamos a casa à noite. O dia passava tão depressa. Dava a
sensação de que a noite parecia haver engolido o dia.
Energia elétrica não existia, então os temas eram feitos à luz de um
lampião. O cheiro daquilo era muito forte e impregnava no ambiente.
Minha casa era bem grande, dois andares. Ela representava um palácio para
mim. Era a princesa em busca do príncipe encantado. Quando dava um temporal
muito forte, na parte superior, tinha a imagem da Santa Bárbara. Íamos até lá e
rezávamos para a chuva cessar.
Ao redor da casa, havia cinamomos e camélias, o forno e o tanque de
ensaboar. Típica paisagem de interior. Eu amava morar ali. Sentia o frescor do
mato, o vento das árvores, a beleza da natureza. O ar do local tornava tudo
mágico. Acho que até meus medos e tristezas se iam quando soprava o vento
serrano.
Em dia de colégio íamos de avental branco. Eu ficava literalmente
ensacada. Era até engraçado. Nos pés calçávamos tamancos. Parecíamos médicas.
Mas nem tudo era perfeito. No inverno meus dedos sangravam e faziam calos. Não
me queixava. Aquela era minha vida. Eu era feliz assim. Por sorte tinha a
Pinhona, uma égua de estimação. Aquele bichinho era meu amor. Com ela ia ao
centro vender milho e retornava para casa trazendo farinha. Quando meu pai a
vendeu juntamente com a casa, não fiquei triste. Uma família conhecida ia ficar
com ela. Gente do bem.
Naquele tempo não havia perigo de sair na rua como hoje. Íamos ao
parquinho onde havia balanços, meu brinquedo preferido. Eu sempre dizia a quem
me empurrava: “Me manda pro céu. Quanto mais alto, melhor!". A sensação era de
voar. Asas pareciam fazer parte do meu corpo. Um tempo inesquecível.
Quando saí do interior, meu pai começou a beber. Eu rezava para ele
melhorar. Ele chorava quando bebia. Era um vício. Sempre acreditei na sua
recuperação, pois ele era meu herói. Continuei meus estudos em um colégio do
centro chamado Nossa Senhora de Lourdes. Lá estudavam pessoas muito
preconceituosas. Diziam que quem vinha da colônia era burro. Além disso, tinha
muita dificuldade em matemática. Acho que foi por esse motivo que decidi ser
professora, ajudar os outros a pensar.
Hoje não sou mais aquela menina ingênua e sonhadora. Ainda carrego traços
dela, mas vivo o agora. Agradeço por tudo que passei. Me serviu de lição. Não
guardo rancor de ninguém, de nada. Aprendi a ter muita fé em Deus, confiar em
mim e acreditar que tudo é maravilhoso, basta entender e aceitar os fatos como
uma escola de oportunidades.
Diariamente cenas desfilam e dialogam dentro de mim...
Obrigada, garotinha, por me embalar
com seu sorriso puro e me encantar com os acontecimentos simples da
vida.
Baseado na
história de Riciene Peccin Fagherazzi, 66 anos - Farroupilha
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=iLG-Zg-aMVw
Abraço a todos.
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